DE DRUCKER PARA WELCH
Por que boas empresas, com históricos impecáveis e protagonistas de casos de grande sucesso no passado fracassam? Poderíamos arriscar alguns palpites fáceis, acusando seus gerentes de acomodação, negligência ou incompetência. Mas isto seria um argumento bastante simplório, pois são as mesmas pessoas responsáveis pelo passado de sucesso, o que faz estranho acreditar na incapacidade delas.
Ao contrário do que diz o senso comum, os executivos à frente destas empresas vêem as mudanças chegando e respondem rapidamente a elas. O problema é que a resposta tende a reforçar o que deu certo no passado.
Com o sucesso, as pessoas se tornam menos questionadoras e as práticas que foram responsáveis pelas vitórias do passado viram padrões para as respostas e estratégias no presente. Quanto mais bem sucedidas foram as ações no passado, mais as pessoas se apegam a elas e mais difícil será mudá-las quando for necessário.
Aí está o problema, pois o ambiente, provavelmente, não refletirá mais o passado e a “antiga receita” não é mais garantia de sucesso. Até que se perceba e aceite o erro, tempo e vantagem competitiva já foram perdidos.
Como evitar que isto ocorra? A única maneira é se questionar todo dia sobre a razão e a forma de fazer o que se está fazendo. Abandone por completo qualquer orgulho que lhe prenda às glórias passadas, pois não são garantias ao desejado sucesso no presente.
Esta lição foi passada por Peter Drucker a Jack Welch, quando este o contratou como conselheiro nos primeiros anos à frente da GE. Drucker mandou que Welch, dali em diante, sempre que chegasse ao trabalho, antes de qualquer outra atividade, questionasse seus pressupostos sobre a organização que dirigia. Deveria agir como uma criança na fase dos por quês. “Por que fazemos assim e não de outra forma? Por que investir nesta área e não naquela outra? Por que vendemos isto e não aquilo? Por que…? Por que…? Por que…?”
Convencido que estava no caminho certo, deveria dar início à sua rotina. Mas se ao menos uma resposta a algum dos questionamentos não fosse convincente, Welch tinha o compromisso de acender um sinal amarelo sobre a questão.
Este exercício só funciona se formos críticos e honestos. De nada valerá se responder às perguntas buscando convencer-se de quão competente e bom você é, e quão certas estão suas crenças e verdades. Só iria ajudar a congelar tendências de ações, que é justamente o resultado contrário que se espera atingir.
O momento certo para nos questionarmos a respeito do quê, do porquê e do como estamos desenvolvendo nossas tarefas competitivas não é durante a crise ou antes dela, mas sim a cada momento. Deve ser uma atitude constante do empresário, um comportamento quase neurótico de questionamento em relação ao seu próprio negócio.
Drucker, falecido no ano de 2005, sempre será lembrado como um dos pais da administração moderna. Welch, em 2000, foi nomeado Gerente do Século pela revista Fortune, em 2005, eleito o CEO Mais Admirado dos últimos 20 anos pela revista Chief Executive e o Maior Líder Mundial da atualidade em uma pesquisa realizada pela revista Fast Company. Competência comum aos dois: entender de gente.
Sem comentários »SERMÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
Toda a vida (ainda das coisas que não têm vida)
não é mais do que uma união.
Uma união de pedras é edifício.
Uma união de tábuas é navio.
Uma união de homens é exército.
E sem esta união tudo perde o nome e mais o ser.
O edifício sem união é ruína.
O navio sem união é naufrágio.
O exército sem união é despojo.
Até o homem (cuja vida consiste na união de alma e corpo)
com união é homem, sem união é cadáver.
…
Nobreza desunida não pode ser, porque, em sendo desunida,
logo deixa de ser nobreza, logo é vileza.
Para derrubar um reino e muitos reinos onde há desunião
não são necessárias baterias, não são necessários canhões,
não são necessários trabucos, não são necessárias balas,
nem pólvora, basta uma pedra, lápis.
…
Nós temos muito boas mãos e o sabem muito bem nossos
competidores, mas se não tivermos união, nem eles haverão
mister mãos para nós.
Nem a nós nos hão de valer as nossas.
Padre Antônio Vieira, em Santa Engrácia, no ano de 1662
Sem comentários »O PRINCÍPIO DE PETER
O Princípio de Peter, idéia do Dr. Laurence J. Peter (1919–1990), propõe que o processo de promoção dentro das organizações as transforma, no estágio final, em um conjunto de pessoas ocupando funções além de suas capacidades.
A idéia é bem simples: somos promovidos sempre que demonstramos capacidade superior à função que ocupamos, até ficarmos presos a uma função a partir da qual não conseguimos mais progredir. Por que paramos de ser promovidos? Propõe o princípio, num raciocínio bem simplório, que é porque atingimos nosso limite de competência. Ou seja, ao final de sucessivas promoções por mérito, todos tendem a encontrar uma função na qual não conseguem mais se destacar.
Se uma pessoa se revelar competente no desempenho das suas funções, será promovida ao nível hierárquico imediatamente superior. Se voltar a ter sucesso em suas novas tarefas, será de novo promovida. Assim sucessivamente, até chegar ao ponto em que já não consegue dar conta do recado.
O profissional terá atingido o seu nível de incompetência e estagnado. Como a despromoção não é um mecanismo habitual, as pessoas permanecem nessas posições, em prejuízo da organização a que pertencem.
Imagine o efeito disto: organizações maduras com vagas preenchidas por profissionais com desempenho, no máximo, mediano. A eficiência da organização é comprometida, levando para o fundo sua produtividade e lucro.
Pior! O mundo, em suas múltiplas instâncias – políticas, empresariais, culturais, etc. – seria fundamentalmente governado por incompetentes.
Parece que não era por loucura que você se questionava: “Como é que todo um bando de idiotas consegue estar à frente de empresas, partidos políticos e funções públicas?” Mas cuidado, as pessoas podem estar fazendo a mesma pergunta em relação a você.
É claro, não se propõe ser este princípio a razão de todo o problema de gestão de pessoas das empresas. Mas que, convenhamos, tem certa lógica, não podemos negar.
E de quem é a culpa? Da organização que promoveu o funcionário, pois este, até aquele estágio, tinha feito por merecer? Do profissional que buscou crescer em sua carreira até encontrar um desafio maior que suas habilidades? Do modelo de promoção por mérito, que busca dar o devido reconhecimento a quem é de direito?
Do ponto de vista pessoal, pergunte-se: “Sou competente na posição que ocupo?” Daí, quando surgir uma oferta de promoção, analise: “Serei competente na nova função?” Se não, é melhor ser ótimo onde você já está e organizar sua vida a partir dessa perspectiva.
Mas quem de nós tem coragem de recusar uma promoção? Aposto que são poucos, e parte deles não por consciência de seus limites, mas por medo do novo.
Já, se for você um gestor com responsabilidade sobre uma equipe, olhe para ela e responda: “Tenho funcionários nesta condição? Aqueles que, percebo terem atingido o próprio limite de competência, podem ser ajudados?” Dê uma cutucada firme nestas pessoas. O susto e o apoio podem fazê-las acordar e buscar a melhora que lhes garantirá a empregabilidade e o devido retorno para a organização.
Sem comentários »QUESTÃO DE INTERPRETAÇÃO
O capitão não gostava do imediato e registrou no livro de bordo, depois de um único episódio, “O imediato estava bêbado hoje”. O imediato pediu que o capitão retirasse aquele registro, alegando, com razão, que aquilo nunca havia acontecido antes e que seu emprego poderia ficar ameaçado. O capitão recusou. O imediato ficou encarregado do livro de bordo no dia seguinte e registrou: “O capitão estava sóbrio hoje”.
Sem comentários »POR QUE SOMOS ÚNICOS?
Cientistas que estudam o comportamento humano, há muito, concluíram que metade das características da personalidade de uma pessoa está vinculada à herança genética. Ou seja, metade do que somos já estava definido no momento em que nascemos. A hipótese, portanto, é de que a outra metade é influência do meio-ambiente. Nossas experiências ao longo de nossas vidas se incumbiriam de complementar e consolidar nossa personalidade. Fazendo, assim, cada indivíduo único.
O comportamento de gêmeos idênticos fornece uma boa comprovação disto. Mesmo possuindo a mesma carga genética, em sua maioria os gêmeos apresentam notáveis diferenças de personalidade entre si.
Até agora ninguém conseguiu estabelecer quais aspectos do meio-ambiente em que vive uma pessoa são importantes na formação de sua personalidade. Só se foi capaz de determinar quais aspectos do meio-ambiente não são importantes. E entre estes, por mais incrível que pareça, está a influência do lar.
Quer o lar seja chefiado pelo pai, pela mãe ou por ambos, quer os pais tenham um casamento feliz ou não, quer eles se dediquem a incentivar seus filhos a serem bem-sucedidos ou prefiram deixá-los encontrar o próprio caminho, quer a casa seja ordenada ou bagunçada – a pesquisa mostra, de modo contra-intuitivo, que nenhuma dessas coisas faz diferença para a formação da personalidade.
A criança que cresce num lar ordeiro e bem organizado não se revelaria, portanto, mais conscienciosa ao se tornar um adulto do que aquela que cresceu num lar bagunçado.
Os pesquisadores descobriram, também, que as características mais freqüentes no comportamento de um mesmo indivíduo são determinadas por sua genética. Uma criança que herdou uma predisposição a ser agressiva ou conscienciosa reproduzirá esses traços tanto no lar quanto na escola. Nossos traços de comportamento que mais nos representam seriam, portanto, culpa de nossos pais. Não em razão de como nos criaram, mas daquilo que nos transmitiram no momento da concepção.
A verdade é que as pessoas não sabem por que, nem como elas se tornaram o que são. Podem até perguntar isto para seus pais, o que teria pouquíssimas chances de ser proveitoso, pois estes enxergam apenas uma parte da vida dos seus filhos.
Embora as relações paternas exerçam efeitos profundos sobre a felicidade das crianças no seu dia-a-dia, exatamente como os relacionamentos amorosos influenciam a felicidade dos adultos no dia-a-dia, eles não deixam marcas profundas na personalidade.
É o que acontece com uma pessoa fora do seu ambiente familiar que a conduz a se transformar no que ela é. Afinal, é fora do ambiente familiar que somos destinados a levar nossas vidas adultas.
Sem comentários »